RGPD e Mudança Organizacional: uma opção!

Por o 17 Outubro 2018

Já vai longe a semana da azáfama ilusória do envio de “biliões” de e-mails a pedir consentimentos. Na maior parte das vezes estes consentimentos foram desnecessários e concebidos de modo totalmente imperfeito à luz das exigências do RGPD, mas foram apaziguadores da consciência de muitas organizações que vêm no RGPD um custo e não uma oportunidade de melhoria, como cremos que é, a todos os níveis da gestão. 

Seja essa gestão operacional, de pessoas, financeira, jurídica ou simplesmente estratégica.

Essa oportunidade de melhoria proporcionada pelo RGPD permite também combater um dos principais fatores da diminuição da produtividade: o retrabalho!

Este apaziguar de consciências via tratamento do tema RGPD de um “modo cosmético”, revela que “muito do nosso país” continua a acreditar mais na urgência do lucro imediato do que na importância da melhoria contínua das competências e dos métodos de gestão, como modo de chegar à Excelência, essa sim potenciadora do Lucro Sustentável. E o RGPD pode ajudar a essa melhoria da qualidade das competências, dos métodos e dos sistemas de gestão e liderança.

 

Por outro lado, é tempo de assumirmos a responsabilidade dos nossos atos e deixar de atirar culpa uns aos outros.

A falta de informação ou a falta de lei executora do RGPD são apenas desculpas fracas e mais cedo ou mais tarde essas desculpas cairão, podendo nessa queda arrastar a imagem de muitas organizações. Urge pararmos de dizer que a culpa é do estado que também não cumpre, que é do governo que não fez atempadamente a lei, que é da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) que não tem meios de fiscalização ou dos jornalistas que informam superficialmente.

Preferimos não analisar na perspetiva da culpa, mas sim na perspetiva da autorresponsabilidade. Assumamos: a esmagadora maioria das nossas organizações quer públicas quer privadas ainda não tratou do tema da privacidade como o RGPD impõe que seja tratado. Mas essas organizações – das micro; às grandes – têm que decidir tratar do tema de forma competente. Quer o estado cumpra quer não cumpra, quer o governo legisle ou não quer a comissão nacional de proteção de dados fiscalize ou não e quer a informação seja profunda ou superficial.

As organizações têm que estar conformes e isso é uma realidade indesviável!

Umas de modo mais aprofundado, outras menos, mas todas terão que tomar medidas corretas e não apenas criando uma pasta com papéis de consentimento erróneo ou desnecessário amarelecidos pelo tempo. Isso não é RGPD. É engano!

O RGPD não é uma ilusão!

E não precisa de qualquer lei interna para ser aplicado. Porque é um regulamento aplica-se diretamente. As organizações ou os singulares que operem enquanto responsáveis pelo tratamento de dados que não optarem pela verdadeira conformidade poderão ser alvo de coimas ou sanções já nos próximos tempos. Quem sabe até, fazendo fé nas palavras de Giovanni Butarelli (supervisor de proteção de dados na União Europeia), ainda este ano.

O RGPD traz oportunidades de melhoria da qualidade da gestão. É nessa perspetiva que deve ser visto e não como catalisador da burocracia. Antes pelo contrário. O RGPD pode representar menos papel, menos burocracia, simplificação de métodos, melhor informação, mais equidade, mais lealdade e mais qualidade.

Mudemos pois, optemos pelo RGPD!

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