A Comunicação Interna e a Gestão de Pessoas

Por o 18 Abril 2016

Já imaginou uma equipa de futebol em que o treinador não falasse diretamente com os jogadores para lhes dar orientações deixando que fosse outra pessoa a fazê-lo?
Acompanhe o cenário futebolístico neste artigo do autor convidado, António Lopes.

Você já imaginou uma equipa de futebol em que o treinador não falasse diretamente com os jogadores para lhes dar orientações, motivar e ouvir as suas sugestões, deixando que fosse outra pessoa a fazê-lo? Talvez nunca tenha, sequer, imaginado tal situação. Mas o convite que agora lhe faço é que…imagine, por alguns instantes.

 

 

O treinador da equipa

Já captou a ideia? Ok, então vamos lá!… Está a ver esse treinador dessa equipa imaginária? É aquele homem ali ao fundo, vestindo um fato de treino impecável (a cor deixo também à sua imaginação…) e com um largo dossier nas mãos, sentado no seu lugar habitual, junto à lateral do relvado. Está a tomar apontamentos e a gizar táticas para o próximo jogo, enquanto os jogadores treinam no relvado, acompanhados por um adjunto. Esporadicamente, o treinador chama o adjunto e pede-lhe que informe a equipa relativamente à tática a seguir no embate do próximo fim de semana, assim como dos erros de posicionamento a corrigir. O adjunto corre para junto da equipa e procura transmitir aquilo que ouviu. Por vezes esquece algum pormenor, mas procura dizer aquilo que ele considera ser o essencial. Quando os jogadores têm dúvidas ou sugerem alguma coisa, corre novamente para junto do treinador e regressa com as respostas. Todo o treino decorre segundo este princípio – o treinador nunca fala diretamente com os jogadores, deixando que todo o processo de comunicação seja feito por outrem, isto é, pelo adjunto.

 

No dia do jogo…

No dia do jogo, algumas horas antes do início do mesmo, o treinador chama o adjunto e pede-lhe para também transmitir à equipa o seu incentivo. Fala vigorosamente e com paixão – coisa que o adjunto tem dificuldade em fazer, até porque se sente incapaz de reproduzir aquela luz nos olhos do treinador, aquela energia das suas palavras, aquela postura ganhadora. Quando chega junto dos jogadores e procura (uma vez mais) passar-lhes a mensagem, fá-lo da melhor forma que sabe – mas ele não é o treinador e não consegue motivá-los da mesma forma, obviamente.

 

O resultado…

Não vale a pena falar do resultado – uma derrota estrondosa. O treinador achou que as suas orientações não foram seguidas. O adjunto desculpou-se, dizendo que procurara transmitir tudo da melhor forma possível. E os jogadores, que se tinham sentido à deriva durante todo o jogo, continuavam a não entender quem é que, afinal, treinava a equipa.

 

Neste ponto permita-me que lhe coloque outras perguntas:

  • Ainda acha que a Comunicação Interna não tem nada a ver com a gestão das Pessoas numa organização?

  • Que os gestores RH devem entregar a “adjuntos” (ou a outros departamentos) a tarefa de gerirem a Comunicação com os seus “clientes”, isto é, as Pessoas?

  • Vai ficar sentado no “banco”, enquanto outros departamentos transmitem a missão, a visão, as orientações e tratam de motivar e desenvolver os colaboradores da sua Organização?

  • Acha que só tem que recrutar, selecionar, formar e pagar vencimentos e que a Comunicação Interna já não tem nada a ver consigo?…

 

Por hoje ficamos por aqui – o árbitro apitou para o final do jogo. Peço-lhe, apenas, que reflita um pouco sobre estas questões antes da próxima jornada.

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Luís Sérgio Desde 4 anos

Muito bem !
Bom texto, sem dúvida , a muitas vezes, esquecida comunicação directa com os colaboradores é fundamental.

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Hussna Alibhai Desde 4 anos

Nas organizações o grande problema é a comunicação interna que não flui. A falta de sucesso está exatamente na falta de comunicação.A desmotivação das pessoas também tem a ver com a falta de comunicação, da falta do conhecimento do plano, dos projetos, das estratégias etc etc

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