Os Líderes não são super-heróis

Por o 4 Abril 2016

A visão de Susana Brader sobre as qualidades dos líderes extraordinários, em análise neste artigo.


Os Líderes não são super-heróis…mesmo que pensem que têm de o ser!

 

 

Num mundo em constante mudança e cada vez mais competitivo, as organizações que lideram os seus respetivos mercados são aquelas em que os seus colaboradores são mais competentes, apaixonados e focados nos resultados.

 

De bom a excelente…

Em mais de 20 anos a trabalhar com empresas do Fortune 500, em 3 continentes, deparei-me com líderes maus, bons e até alguns extraordinários. Tradicionalmente, as empresas aceitavam os bons líderes como se já tivessem atingido o seu potencial máximo mas, nos dias que correm, a pequena diferença entre o líder bom e o líder extraordinário é o que está a distinguir as empresas nos respetivos mercados e a ditar o seu sucesso sustentável.

A verdade é que ninguém nasce líder extraordinário e, como coach de liderança, muitos clientes me fazem a pergunta: “Quais são aquelas qualidades que tenho de ter e demonstrar para ser um líder extraordinário?”.

 

Aqui ficam algumas qualidades que tenho observado em líderes extraordinários…

  • Consciência: do que fazem e porque o fazem. Esta capacidade de autoanálise tem um impacto enorme naqueles que nos seguem.
  • Clareza na comunicação: ser claro e adaptar o discurso a quem nos dirigimos (ser um verdadeiro camaleão enquanto comunicador) é uma das qualidades mais importantes de um líder extraordinário.
  • Competência: Os líderes considerados extraordinários são extremamente competentes no seu ofício. Leiam o livro de Malcom Gladwell – Outliers, e vejam o que ele diz sobre a regra das 10,000 horas.
  • Confiança: Confiança e competência são inseparáveis. Competência sem confiança coloca em risco a nossa habilidade para estimular os outros (e a nós próprios). Confiança sem competência (devem estar a pensar em várias figuras politicas que conseguem comunicar com absoluta confiança mas que depois não conseguem executar e cumprir pois falta-lhes competência para o fazerem) é só para “encher o olho” e a longo prazo cai no vazio, sem conteúdo. Os grandes líderes têm tanto de confiança como de competência! E lembrem-se que ninguém nasce confiante – a confiança tem de ser cultivada, é uma escolha que os líderes extraordinários fazem todos os dias.
  • Coragem: apesar de ter medo e estar incerto, um líder extraordinário toma a decisão necessária e enfrenta as consequências.
  • Colaboração: Os líderes extraordinários sabem que têm limites, fraquezas e que precisam de outros para atingirem os objetivos. Líderes extraordinários não só criam um ambiente de trabalho que é condutivo a colaboração (trabalhar em conjunto) entre colaboradores mas vão mais longe e criam sinergias (trabalhar em conjunto com o objetivo de que todos os envolvidos saiam a ganhar) entre os colaboradores, desenvolvendo-os e permitindo o seu crescimento.
  • Pensamento positivo: Procurar as soluções positivas para os desafios com que se deparam. Para os líderes extraordinários o copo está meio cheio e nunca meio vazio. Controlam as emoções para se focarem naquelas que mais os ajudam em determinada situação e assim controlarem o resultado.
  • Criatividade: Criatividade e inovação só têm valor quando existe ação. Os líderes extraordinários não se limitam pelo que existe e conseguem ver para além das crenças limitadoras do próprio, da sociedade e da empresa.
  • Compromisso: com as decisões que tomam, com objetivos traçados, com as equipas, colaboradores e empresa. Desenham objetivos mas mantêm a flexibilidade; medem resultados mas não se deixam definir por eles.
  • Contribuição: para realmente marcar pela diferença, os líderes extraordinários entendem que o foco não pode estar neles mas sim no impacto, nas ideias, nas mudanças que o “EU” consegue desenvolver nos outros.

 

Os líderes extraordinários

Os líderes extraordinários não são excelentes em tudo e encontram-se em vários níveis hierárquicos nas organizações – não têm que ser CEO´s.

O importante é entender que para se ser um líder extraordinário não temos que ser bons em tudo e não o podemos ser sozinhos; o importante é ter certas qualidades e características que vão ofuscar as nossas partes menos fortes e, ao mesmo tempo, estar rodeado de uma equipa que nos complementa e nos permite ser extraordinários.

Os líderes extraordinários não têm poderes sobre-humanos e não são super-heróis; mas têm uma capacidade clara de reconhecer as suas fraquezas e compensar essas áreas menos desenvolvidas com as suas características fortes – são como todos os seres humanos mas que trabalham árdua e continuamente certas características e competências que os diferenciam de todos os outros. Ao mesmo tempo, conscientes de que sozinhos não chegam longe, rodeiam-se de uma equipa que os complementa e lhes permite serem extraordinários.

Como disse Michael J Fox:

“I am careful not to confuse excellence with perfection. Excellence I can reach for, perfection is God´s business”.

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Paulo Finuras Desde 5 anos

Muito bom:)

Resposta
    Susana Brader

    Susana Brader Desde 5 anos

    Obrigada Paulo.
    Bom fim de semana

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Helder A. Martins Desde 5 anos

Muito interessante o seu post. Sobretudo pela sua abrangência e por não se focalizar em idealizações que por vezes proliferam no contexto da ‘liderança-de-sucesso’ – o que na maioria dos casos desencoraja qualquer um por se achar longe dessa mesma idealização, tantas mediatizada por oradores e ensaistas.
A referência ao M.Gladwell também é muito benvinda! HM

Resposta
    Susana Brader

    Susana Brader Desde 5 anos

    Obrigada Helder.
    Bom fim de semana
    Susana

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