Aprender depende cada vez mais de cada um?

Por o 16 Outubro 2020

O desenvolvimento de competências é uma premissa crucial no interior de uma organização que se queira de sucesso e capaz de se adaptar às novas circunstâncias.

A capacidade de potenciar os colaboradores, de encontrar e maturar talento, bem como a atualização de conhecimentos, são matérias que fazem parte da agenda de decisores empresariais cientes do ecossistema que os envolve. Tal era uma realidade até março de 2020, tal continuará a ser uma realidade (ainda mais premente) no novo paradigma em que vivemos, onde as soluções digitais são cada vez mais utilizadas e otimizadas e as respostas às necessidades e exigências têm que ser imediatas.

Este foi o mote para o Webcast realizado pela Pessoas, em parceria com a CEGOC, e que contou com as presenças de Ricardo Martins, Diretor Geral da CEGOC, João Gomes, Chief Human Resources Officer da Syone, e Raquel Costa, Head of Interactions da Critical Techworks, numa conversa moderada por Mariana Araújo Barbosa, Diretora Executiva da Pessoas.

No decorrer do debate, Ricardo Martins teve a oportunidade de avaliar a forma como o desenvolvimento de competência é encarado pelas organizações nacionais. Tópicos como o Digital Learning, Soft e Hard Skills, Self-Learning e (Trans)formação mereceram especial atenção.

A pandemia acelerou o processo de transformação ao nível do digital learning.

Assiste-se a um crescente interesse pelas soluções formativas à distância, com um grande fluxo de pedidos de soluções que possam ser integradas de forma digital. Para a CEGOC, é interessante aplicar os conceitos apreendidos ao longo de anos e responder às novas necessidades de clientes e parceiros, ajudando-os a adaptar-se a esta realidade.

Migrar todos os programas e formações. Reinventar a formação. Colmatar a ausência de um espaço comum.

Não é possível voltar, pelo menos para já, a uma solução 100% presencial. Mas verifica-se que as empresas estão conscientes do contributo da formação para o aumento da performance das pessoas e respetiva competitividade, mesmo em formatos digitais. Exemplo prático da relevância desta solução formativa, as plataformas colaborativas são uma experiência com um elevado potencial enriquecedor, que podem juntar diferentes backgrounds profissionais, inclusivamente, de diferentes países, regiões, continentes.

Encontramo-nos num processo de (trans)formação

Esta mudança de paradigma abre uma oportunidade enorme de colaborar, de forma transversal, com vários países e culturas empresariais. Há pelos menos 15 anos que a CEGOC trabalha nas mais adequadas soluções à distância, com capacidade de transmitir uma experiência de aprendizagem diferenciadora, capaz de tornar competências em performance, desde que devidamente englobada noutro tipo de apoios, também feitos à distância.

Self-learning – onde cada pessoa pode ser o seu próprio agente de aprendizagem.

Existem três grandes crenças a esse respeito, as quais balizam a resposta da CEGOC em termos das ofertas formativas, para, efetivamente, no final, e depois de medir os indicadores necessário, aferir se há um retorno do investimento absolutamente tangível e significativo para quem opta por desenhar a engenharia pedagógica mais recente nos seus percursos de aprendizagem.

1) É de facto possível otimizar os ciclos de aprendizagem.

O grande desafio passa por transpor as aprendizagens para o dia a dia, usar em contexto de trabalho aquilo que foi efetivamente apreendido. Esse processo de adaptação e transferência demora mais tempo do que o tempo necessário para aprender. Com o online é possível desenhar um percurso formativo, com componentes de aprendizagem formal contidas no tempo e componentes de aprendizagem informal em ambiente de trabalho, inclusivamente com o apoio de um coach ou até dos colegas, numa lógica de social learning.

2) Cada pessoa valoriza a possibilidade de escolher o seu percurso formativo.

É possível que cada um de nós consiga desenhar o seu percurso formativo de acordo com diferentes necessidades, sendo viável despistar temas que exijam maior atenção, em detrimento de outros. Esta é uma premissa que no digital funciona muito bem, ao invés do formato presencial.

3) Apesar de designarmos de “Digital Learning”, há uma enormíssima importância da componente humana neste processo.

As emoções são fundamentais para reter informação. Se não houver humanização neste processo, dificilmente a experiência passará disso mesmo. É possível usar o online, mesmo em contexto sala, mas também ter aulas digitais em simultâneo. Veja-se, por exemplo, a diferenciação daquilo que é um Webinar relativamente a uma Classe Virtual.

A importância de profissionais e empresas valorizarem, não apenas os hard skills, mas também soft skills

Estamos num período em que a aceleração a nível internacional encontra-se a um ritmo um pouco superior ao que se verifica em Portugal. Entre 40% e 42% das competências correm o risco de se tornarem obsoletas nos próximos 3 a 5 anos. Assim, é fundamental potenciar os hard skills, mas também ter a noção que as soft skills devem merecer maior cuidado. Neste caso, competências que nos permitem trabalhar em qualquer local do planeta, como a agilidade e adaptabilidade, são temas absolutamente críticos.

A Eficiência profissional, e a capacidade de não confundir atividade com produtividade.

Esta adaptação à (trans)formação digital, a trabalhar em contextos diferentes, também vai desafiar as pessoas a reaprenderem a forma de conquistar conhecimento ao longo da vida, numa lógica de (re)skilling. Todos temos competências que ficaram perdidas na memória, mas que atualmente podem ser tão relevantes que exijam a devida reabsorção de conteúdos. É um tema que atualmente assume elevada relevância, ao contrário daquilo que era prática comum há duas décadas.

Em face do inesperado cenário social e económico de 2020, tornou-se mais urgente reavaliar o desafiante contexto empresarial que vivemos. Entre as principais preocupações de qualquer estrutura encontra-se a necessária capacidade de cuidar do dia a dia do seu modelo de negócios numa perspetiva financeira, sem nunca descurar a aprendizagem de competências, que se verifica cada vez mais em contexto digital. Estamos perante “tempos novos”, que têm tanto de inovadores, como de desafiadores, em face da aplicação de valências e conceitos que se pretendem igualmente produtivos, resultantes das abruptas mudanças ao nível do local de trabalho e relacionamento laboral – e que dificilmente voltarão a ser similares ao passado recente (mas que a todos parece mais remoto) pré-pandémico.

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