“Agile: uma maneira de estar e de pensar”

Por o 17 Julho 2020

Os profissionais de recursos humanos foram os primeiros a serem chamados a agir e a tomar decisões quando chegou a pandemia. Se até há pouco tempo se questionava a utilidade destes profissionais, hoje é claro que são fundamentais, principalmente em períodos de crise. Leia a entrevista de Maria João Ceitil, HR Consulting Coordinator da CEGOC, à RH Magazine e descubra como “a agilidade é, sem dúvida, uma ‘arma’ importante na ‘batalha’ que enfrentamos.”

 

 

– Com a crise da Covid-19, as empresas que aplicam metodologias agile estão mais preparadas para superar os desafios ou encontrar soluções para os problemas com que se possam estar a debater?

A situação que vivemos hoje é totalmente única e inesperada, e é certamente difícil conseguir neste momento fazer afirmações tácitas sobre quem está melhor ou pior preparado para superar todos os desafios que enfrentamos. A quantidade de variáveis que afetam a dinâmica e performance das organizações é de tal ordem que limitar a análise do sucesso de qualquer organização na superação da situação que vivemos à visão exclusiva da agilidade organizacional será, no mínimo, redutor e poderá induzir a reflexões erróneas. O que sabemos, de facto, é que o recurso a metodologias ágeis promove resultados que poderão ser extremamente úteis na resposta à mudança drástica que estamos a viver, dotando as organizações de mais flexibilidade, capacidade de resposta rápida e de adaptação constante a novas exigências. Por esse motivo acreditamos que, não sendo a única “fórmula mágica” para enfrentar os desafios de hoje, a agilidade é, sem dúvida, uma “arma” importante na “batalha” que enfrentamos.

 

– De que forma a gestão de pessoas pode tirar partido destas metodologias?  

A corrente ágil tem vindo a ganhar uma importância e preponderância cada vez maior na mudança de paradigmas e práticas de gestão de um modo geral. E na gestão de pessoas não é diferente. Verifica-se uma grande tendência à adoção das metodologias ágeis na função RH, e muito se pode tirar partido disso, começando logo pela agilização e desburocratização dos processos e da forma de atuar na Gestão de Pessoas. Começando pela simplificação dos processos de gestão da formação, da gestão de desempenho, recrutamento e gestão de talentos, até à forma como é pensada e estruturada toda a “Employee Experience”, a Gestão de Pessoas poderá encontrar nas metodologias ágeis soluções para promover um maior valor acrescentado ao seu “cliente”, e promover resultados mais rápidos, com equipas mais envolvidas e altamente produtivas.

 

– Diz que mais do que uma metodologia, esta é uma “maneira de pensar”. Porquê?

Quando falamos em agile, na CEGOC, falamos precisamente de uma maneira de estar e pensar. E foi precisamente assim que o agile surgiu. Falar em agile não se trata de falar em Scrum, ou Kanban, ou outras metodologias que são desenvolvidas com base neste mindset. Falar em agile é falar em pôr em prática os quatro valores fundamentais que sustentam o manifesto ágil: a transparência, a união, a adaptabilidade e a simplicidade, bem como aplicar os 12 princípios que regem o pensamento ágil, também presentes no manifesto. E estes são os fundamentos da agilidade; podem-se desenvolver diversas metodologias, aplicar diferentes práticas, recorrer às que já existem ou inovar e criar novas práticas, mas o que verdadeiramente tem impacto é a forma como estes valores são vividos, sentidos e implementados nas organizações.

 

– Da teoria à prática, o que é essencial para que as organizações depois de aprenderem as metodologias se tornem efetivamente ágeis? É um processo simples ou nem por isso?

Diríamos que o processo deverá, idealmente, começar pela adoção do mindset agile e incorporação dos valores e princípios subjacentes. A partir do momento em que as organizações integrem a importância da transparência em todos os processos, decisões e forma de atuar com as pessoas; promovam a união estimulando equipas, projetos e estruturas multidisciplinares, que comunicam eficazmente e partilham feedback sem reservas; desenvolvam competências e formas de trabalhar capazes de se adaptarem e acolherem a mudança como algo positivo e aquilo que impulsiona a inovação; e procurem simplificar os seus processos, desburocratizar a atividade e focar no que traz efetivo valor acrescentado… estarão no bom caminho da agilidade. A partir daqui será simples, e bastará encontrar as metodologias existentes que melhor servem a implementação destes valores na cultura e dinâmica única e exclusiva de cada organização.


– Que tipo de organizações têm estado mais empenhadas e mostrado mais interesse em adquirir e desenvolver métodos agile?

O movimento agile teve origem no setor tecnológico, mais propriamente na área de desenvolvimento de softwares, pelo que este é, por inerência, o “habitat” natural das organizações ágeis. Mas não é sem dúvida, o único “habitat” da agilidade. Observamos cada vez mais organizações de média e grande dimensão a procurar a adotar o mindset agile e incorporar as metodologias ágeis nos seus processos de gestão e dinâmica organizacional. É um movimento evolutivo e que se tem vindo a expandir um pouco por todos os setores de atividade, sendo ainda mais expressivo, em Portugal, nos setores da tecnologia e serviços (de um modo geral). Organizações com estruturas organizacionais muito hierarquizadas e modelos de gestão Top Down poderão encontrar algumas dificuldades na adoção dos valores agile, na medida em que estes promovem uma autonomia elevada e grande flexibilidade nos processos de gestão, mas… será sempre possível transitar da “insustentável leveza da rigidez” para a “insuperável firmeza da vontade”.

 

*Esta entrevista foi publicada originalmente na RH Magazine.

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Agile HR

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