A arte da preguiça estratégica

Por o 14 Junho 2019

Um líder que entendeu este conceito perfeitamente foi o Chefe Alemão do Alto Comando do Exército no período pré-guerra. Kurt von Hammerstein-Equord foi um estratega de sucesso e líder que renunciou ao cargo em 1934, devido à sua oposição a Hitler, mas que ficou também conhecido por fazer do seu exército um sucesso, classificando os seus oficiais em quatro grupos: “Existem oficiais inteligentes, diligentes, estúpidos e preguiçosos”, concluiu.

 

 

“Normalmente, há duas das características que aparecem juntas. Alguns são inteligentes e diligentes – e o seu lugar é o Estado-Maior. O outro lote, que representa cerca de 90% do exército, é feito de estúpidos e preguiçosos – e são adequados para tarefas rotineiras. É preciso ter cuidado com qualquer profissional que seja estúpido e diligente – não deve estar encarregue de qualquer responsabilidade, pois só vai causar prejuízos. Por outro lado, qualquer um que seja simultaneamente inteligente e preguiçoso está qualificado para os mais altos deveres de liderança, porque possui a clareza intelectual e a compostura necessária para decisões difíceis”.

A classificação de Hammerstein continua relevante e atual para as organizações de hoje. Isto porque o conceito de preguiça não significava para Hammerstein ociosidade, significava fazer aquilo que era mais eficiente e eficaz – e nada mais. Se gastarmos o nosso tempo a fazer tudo e a pensar em tudo, será impossível ter a clareza cognitiva para nos concentrarmos naquilo que realmente importa. E é por isso que os líderes inteligentes são muitas vezes delegados naturais que procuram formas mais simples e fáceis de fazer as coisas acontecerem.  

 

Automatização: torne as coisas mais fáceis

É atribuída a Bill Gates a frase: “Quando quero um trabalho feito, dou-o a alguém preguiçoso, porque vai descobrir a maneira mais rápida e fácil de o fazer”. Uma mentalidade “conscientemente preguiçosa” ajuda a perspetivar as coisas, a pensar como torná-las fáceis para que seja possível fazer mais e com mais frequência.

Em 1930, John Maynard Keynes afirmou que no ano 2030 seria provável existir um sistema de “desemprego tecnológico”, com pessoas a trabalhar 15 horas ou menos. Podemos não estar prontos para esta realidade, mas é definitivamente verdade que desperdiçar tempo a tweetar uma e outra vez quando existem aplicações como Tweetdeck ou Hootsuite que podem fazer isso por nós é tão estúpido como escolher lavar a louça à mão.

É dever dos líderes encontrar ferramentas inteligentes que permitam à sua equipa automatizar e acelerar processos.

 

Fazer menos: delegue e capacite os outros

Um dos líderes globais que entrevistei para o livro “Superfast: Lead at Speed”, nome bem conhecido do mundo da publicidade e dos media, disse-me que tinha sempre dois objetivos claros para as reuniões a que ia: a) agregar o máximo de valor possível; b) deixar a sala sem nenhum apontamento na to-do-list. Isto não só capacita as pessoas que o rodeiam, como também permite que ele se concentre em coisas que os outros não podem ou não querem fazer.

A preguiça é uma excelente característica de liderança – e se não existir naturalmente, pode ser alimentada. Existem escolhas que podem ser feitas todos os dias para moldar a sua carreira e a sua organização de diferentes formas. Se se concentrar no que realmente importa e colocar a sua atenção e energia nisso, significa que vai ter de fazer menos em outro lado. Aloque o seu tempo naquilo que realmente importa.

 

 

No dia 31 de outubro, Sophie Devonshire sobe ao palco do Business Transformation Summit, evento organizado pela CEGOC a decorrer na LxFactory, para apresentar o tema: “Superfast: How to Set the Pace and Lead in a World of Speed”. Saiba mais aqui.

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Os 4 papéis essenciais da Liderança

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