O que os filmes nomeados aos Óscares nos ensinam sobre: Liderança

Por o 22 Fevereiro 2019

A verdade é que não podíamos criar uma rubrica de reflexão sobre temáticas de Gestão de Pessoas sem abordar o tema da liderança, tão impactante e crucial no desenvolvimento de equipas. Por isso mesmo, no artigo de hoje, mergulhamos nos filmes “Pantera Negra” e “Vice”, dois universos cinematográficos paralelos onde coabitam três tipos de líderes tão distintos como as crenças, os valores e as ações que os separam.

Os líderes do Universo – Os bons, os maus e os vilões

O que é um líder? Pessoa que exerce influência sobre o comportamento, pensamento ou opinião dos outros? Pessoa ou entidade que lidera ou dirige? Chefe de um partido ou movimento político? Aquele que lidera determinado setor de atividade ou uma competição? Todas estas definições aparecem no dicionário Priberam da Língua Portuguesa como referentes à palavra “líder”. Definições à parte, a história mostra que os grandes líderes são aqueles cujas ações inspiram, motivam, instruem, corrigem, orientam, influenciam outras pessoas, proporcionando-lhes ferramentas de empowerment para que estas conquistem os seus próprios resultados e consolidem o seu próprio crescimento e desenvolvimento profissional e humano.

 

Dado que existem inúmeras teorias sobre os vários estilos de liderança (Autocrática, Carismática, Participativa, Transacional, Transformacional, Laissez-Faire, entre outras) e vários perfis de líder (com foco em si mesmo, foco nos outros e foco no mercado, para citar alguns), vamos centrar-nos nos três exemplos de liderança que melhor vemos refletidos nos filmes “Pantera Negra” e “Vice” e que nos proporcionam um (de)crescendo de personagens-líder que vai do bom ao mau, culminando no vilão.

 

“Pantera Negra”

O Bom – a liderança participativa de T’Challa

Este tipo de liderança é também designado de liderança democrática, pois o seu líder conduz de forma participativa a sua gestão e inclui a sua equipa nas decisões, fazendo com que todos contribuam ativamente na construção de soluções e resultados. A opinião, as ideias e o feedback da equipa são valorizados e existe lugar para a sugestão de novas formas de resolver os problemas e conquistar as metas e resultados planeados.

 

O bem-estar coletivo está em primeiro lugar – tal e qual mostra a conduta do Rei de Wakanda, sempre em busca do melhor para o seu povo e da justiça para todos. E o objetivo passa por empoderar as pessoas da equipa – seja sob a forma de um exército de mulheres guerreiras e habilidosas, seja sob a forma de uma irmã cientista que comanda a avançada área tecnológica do reino; deixando assim as sementes para futuras lideranças, em jeito também de legado e sucessão.

 

“Um pai que não preparou os seus filhos para sua própria morte falhou com eles”, Rei T’Chaka

 

Nas organizações onde predomina este estilo de liderança, a comunicação é direta e efetiva e prevalece o altruísmo, o respeito, a aprendizagem com os erros cometidos e o sentimento de grupo. Isto faz com que os colaboradores se sintam motivados a dar o seu melhor, o que, consequentemente, diminui a rotatividade e maximiza a sua produtividade. Os seus líderes tendem a ser um exemplo a ser seguido como T’Challa, uma personagem íntegra, humilde, bondosa, carismática, cercada de amigos e família e adorada pelas pessoas que o conhecem.

 

O Mau – a liderança autocrática de N’Jobu

Funcionando de forma oposta à liderança democrática, a liderança autocrática coloca o seu foco no líder – é ele o centro da autoridade, de todas as atenções e decisões e, como tal, canaliza o poder para si e não permite que outros elementos da equipa participem nas decisões.

 

Nas organizações, este estilo de liderança traduz-se em colaboradores limitados na sua área de atuação, que não são considerados para sugestões, mas sim cobrados pelos resultados. Este clima de liderança promove o descontentamento das pessoas, a desmotivação, a hostilidade, a pressão e a perda de grandes talentos.

 

“O nosso povo sofre porque não tem ferramentas para lutar! Com as armas Vibranium, eles podem derrubar todos os países e Wakanda pode governá-los de maneira correta”, N’Jobu

 

O Príncipe N’Jobu, irmão mais novo de T’Chaka, pratica este tipo de liderança na medida em que não entende que a posição de líder não se consegue pela imposição, pela violência, pelo extremismo, pela traição, pelo roubo dos recursos disponíveis, nem pela força – conquista-se. E os membros da equipa são parte fundamental desta conquista assente no respeito, na convivência e na entreajuda.

 

“Vice”

O Vilão – a liderança transacional de Dick Cheney

A liderança transacional assenta na atribuição de recompensas em troca de obediência – neste contexto, o “líder” clarifica à sua “equipa” e às pessoas que o rodeiam o que todos devem fazer para serem compensados pelo esforço. Paralelamente à recompensa proporcional à performance, preconiza a monitorização do desempenho mediante o cumprimento de ordens e promove ações corretivas para quem não alcançar as metas estabelecidas.

 

Este tipo de “líder”, que vemos perfeitamente retratado na personagem Dick Cheney, controverso ex-vice-presidente de George W. Bush, não se preocupa com as motivações e o desenvolvimento dos elementos da equipa, com a antecipação e prevenção de problemas ou com o impacto das suas ações nos outros e no mundo – o foco total reside nos resultados a todo o custo.

 

“Não vou pedir desculpas por fazer aquilo que precisava de ser feito”, Dick Cheney

 

Criticado pela sua capacidade de manipulação e política de interesses (indústria petrolífera e de armamento, entre outras) e ainda por justificar a tortura, chamando-lhe de “técnica melhorada de interrogatório”, Cheney e a sua sede de poder conseguiram impactar negativamente o rumo da história norte-americana (e do resto mundo) durante os anos que se seguiram, nomeadamente ao nível das políticas ambientais de aquecimento global, a flexibilização da posse de armas e a crise dos refugiados sírios, entre outras.

 

Efetivamente, e de acordo com uma investigação levada a cabo pela Universidade de Harvard, que analisou mais de 3 mil líderes durante vários anos, o estilo de liderança pode afetar diretamente o clima organizacional e os resultados de negócio. O estudo conclui mesmo que o perfil do líder pode impactar em 30% o lucro de uma organização… Motivos mais do que suficientes para trabalharmos diariamente, como líderes ou liderados, em prol de uma diferença positiva, transformadora e inspiracional com impacto na vida daqueles com quem trabalhamos e nas organizações onde o fazemos.

 

“Se as suas ações inspiram os outros a sonharem mais, a aprenderem mais, a fazerem mais e a serem mais, então você é um líder” John Quincy Adams, 6º Presidente dos EUA

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Os 4 papéis essenciais da Liderança

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