O que os filmes nomeados aos Óscares nos ensinam sobre: Diversidade e Inclusão

Por o 8 Fevereiro 2019

Sendo um tema amplamente debatido na sociedade ao longo de muitos e muitos anos, em múltiplos fóruns sociológicos, filosóficos, políticos e de opinião publica (entre outros), as questões da diversidade cultural e da inclusão têm vindo a ocupar um espaço cada vez mais preponderante nas reflexões ligadas à gestão e, em particular, no âmbito das preocupações da Gestão de Pessoas.

 

 

“Blackkkbook – Um guia para a inclusão”

 

“Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjetividade.” Fernando Pessoa

 

Sendo um tema amplamente debatido na sociedade ao longo de muitos e muitos anos, em múltiplos fóruns sociológicos, filosóficos, políticos e de opinião publica (entre outros), as questões da diversidade cultural e da inclusão têm vindo a ocupar um espaço cada vez mais preponderante nas reflexões ligadas à gestão e, em particular, no âmbito das preocupações da Gestão de Pessoas.

Esta semana dedicamo-nos a esta temática, sobre a qual os filmes “BlacKkKlansman – O Infiltrado” e “Greenbook – Um guia para a vida” muito têm para nos dizer.

Ambos transmitem inúmeras mensagens poderosíssimas sobre este tema, que permitiriam certamente uma extensa dissertação ideológica, mas iremos sistematizar as que, no nosso ver, constituem as mensagens mais determinantes para o universo da Gestão de Recursos Humanos.

 

“O maior desafio da diversidade é a gestão da diferença”

 

Como reage ao que lhe é diferente? Como recebe, integra e acolhe diferentes perspetivas, formas de estar, pensar e agir? À luz do que nos transmitem ambos os filmes, parece-nos possível induzir que temos naturalmente uma propensão para a rejeição da diferença, seja ela relacionada com diferenças culturais, de opinião ou meramente de formas de estar, falar ou vestir.

Em “Greenbook Um guia para a vida” assistimos a um pouco de tudo, desde a rejeição racial, às diferenças de pensamento entre marido e mulher, divergências de perspetivas entre membros de família, críticas sobre formas de falar entre “instruídos” e “não instruídos”, aos clássicos códigos sociais de comportamento da “alta sociedade” e consequente rejeição da “classe baixa”. Em “BlacKkKlansman – O Infiltrado” podemos ver que nem em grupos tão “fechados” como o Ku Klux Klan existe um pensamento único, e também aí são rejeitados os elementos que “destoam”.

O que parece verdade é que efetivamente a diferença não é fácil de gerir, porque frequentemente implica mudar. Aceitar e integrar a diversidade nas organizações implica aceitar a possibilidade de mudar a forma de agir, adaptar processos, linguagens e comportamentos para mais do que aceitar, poder integrar e aproveitar o que de melhor a diversidade pode trazer: mais ideias e mais competências!

 

Trailer “BlacKkKlansman – O Infiltrado”

 

“A diversidade precisa de inflexibilidade, mas promove flexibilidade”

 

É preciso uma boa dose de “teimosia” para promover a diversidade. Em “BlacKkKlansman – O Infiltrado” assistimos a um polícia, Ron Stallworth, que não se conforma com os obstáculos que encontra ao tentar afirmar-se, e não abdica da sua missão de sabotar uma organização extremista, nem de provar as suas competências enquanto agente da autoridade. Don Shirley, de “Greenbook – Um guia para a vida” , decide fazer uma digressão pelo país, expondo-se a diversas situações potencialmente arriscadas, apenas para contrariar os estigmas sociais e afirmar a sua posição.

Mas, em ambos os filmes, podemos assistir a deliciosas alterações nos comportamentos, à medida que a inclusão se vai verificando. Don Shirley e o seu motorista Tony Lip vão aprendendo a conhecerem-se, a respeitarem-se e, acima de tudo, a adaptarem e a mudar os seus comportamentos para, não perdendo a sua individualidade, encontrarem pontos de união entre ambos. O mesmo podemos ver entre Ron Stallworth e Philip “Flip” Zimmerman que, gradualmente, vão aprofundando a sua cumplicidade e integrando as suas diferenças, quando forçados a desempenhar o mesmo papel.

Sendo a flexibilidade uma das grandes competências do presente e do futuro, num mundo que tanta coisa diferente exige de nós, não será por estes motivos que se torna tão importante promovermos a diversidade?

 

“Alcança-se a inclusão quando se alcança o sentido de pertença”

 

Não nos parece polémico afirmar que o ser humano necessita de sentir que pertence a algo, mesmo sem evocar teorias modelos científicos como a pirâmide de Maslow, ou inúmeros estudos e constatações biológicas. Não só gostamos de ser bem acolhidos nos locais onde vamos, como precisamos de sentir que pertencemos… Pertencemos a uma família, a um grupo de amigos, a uma equipa, a uma organização, ou outro tipo de grupos. Precisamos de uma identidade nossa, individual, mas precisamos de igual forma de uma identidade grupal, de saber e sentir que temos um lugar algures neste mundo e não estamos sozinhos.

Talvez a frase mais poderosa do filme “Greenbook – Um guia para a vida” ilustra precisamente este aspeto.
Em determinada altura, durante uma discussão com Tony Lipp, Don Shirley questiona angustiado: “Se não sou negro que chegue, se não sou branco que chegue, se não sou homem que chegue, então o que sou eu?”.

Em “BlacKkKlansman – O Infiltrado”, podemos observar de forma muito clara, o que “NÃO” é a inclusão. Inclusão não é afirmar que aceitamos outras etnias, não é claramente publicitar que somos “uma esquadra inclusiva”, que oferece vagas de emprego especificas para negros. Não é apenas ter uma política de diversidade assente no número de mulheres que existem, no numero de colaboradores de diferentes etnias, do numero de portadores de deficiência que existem nos nossos quadros de pessoal, ou no facto de publicitarmos que temos uma empresa “gay friendly”.

 

Trailler “Greenbook – Um guia para a vida”

 

Inclusão trata-se de abrir as portas das nossas casas, dos nossos grupos, das nossas empresas, à diferença… estranhá-la se for preciso, aprender com ela, integrar o melhor que ela nos tiver a dar mas, acima de tudo, fazê-la sentir que faz parte de nós.

 

Será por acaso que “Greenbook Um guia para a vida” termina com o acolhimento de Don Shirley no jantar de Natal da família de Tony Lipp? Acreditamos que não, e que a escolha pelo jantar de Natal (desconhecendo totalmente se este se trata ou não de um facto verídico), pretende apenas reforçar a mensagem que mais se associa tradicionalmente a essa época: família.

 

Já sabe a quem vai abrir a sua porta e convidar para jantar?

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC People Management 5.0

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