Que comportamentos separam um gestor de um líder?

Por o 9 Janeiro 2019

Quando se fala de liderança, e por que motivos a mesma é muitas vezes confundida com a gestão, importa referir que existem diferenças, até porque, como já se tornou senso comum, um gestor não é necessariamente um líder.


As teorias de gestão usadas nas empresas foram, na sua maioria, massificadas nos anos 80 e 90 do século passado. Nesse contexto, um gestor é responsável pelo controlo, organização e planeamento, muito focado em processos e eficiência, e para o qual as pessoas, conhecidas como “recursos humanos”, são peças de uma engrenagem.

 

 

No entanto, o mesmo avanço tecnológico que serve de mote para entretidos debates acerca de como as máquinas substituirão os humanos, permitiu-nos começar a abrir a “caixa negra” a que chamamos cérebro, fazendo a área das neurociências evoluir mais na última década do que em toda a prévia existência do ser humano.

 

Percebemos agora melhor conceitos como neuro plasticidade, estados alterados de consciência, entre outros, o que significa que somos uma “peça especial”, com a capacidade de “mudar a sua forma”.

 

Atenção! Não quero demonizar os gestores! Apenas quero sublinhar que necessitamos de algo mais que complemente essa disciplina. Segundo Abraham Maslow, se na caixa de ferramentas apenas tivermos um martelo, todos os problemas nos parecerão pregos.

A evolução assenta muitas vezes em disrupções, algo que surge da criatividade e capacidade de inovação do ser humano.

 

“A luz elétrica não veio da melhoria contínua das velas” Oren Harari.

 

Características como a criatividade são propiciadas por certos estados mentais, algo que conseguimos medir do ponto de vista da química cerebral. Sendo o nosso estado mental importante, percebe-se porque atualmente se fala tanto em propósito, em missão. É aqui que entra a liderança.

Segundo Simon Sinek, a serotonina é a hormona da liderança. No seu livro “Leaders eat Last” explica como o líder é responsável por criar um ambiente com um propósito, e no qual todos se sintam seguros e valorizados. O ser humano reage ao ambiente que o rodeia, sendo que este impacta a sua bioquímica e consequentemente a sua performance. Num ambiente de insegurança e volatilidade produzimos maiores quantidades de cortisol, hormona responsável por nos afastar do perigo, ou seja, sobrevivência (reação de fuga ou luta) e não criatividade.

 

Também importa referir que liderança não é hierarquia.

 

Numa das suas palestras, Laszlo Bock, na altura ainda o DRH da Google, referiu que em todos os processos de recrutamento, independentemente da função, uma das 4 características avaliadas era a liderança. Acrescentou-lhe um pormenor que considerava ser cultural na Google – a capacidade de renunciar ao poder, ou seja, procuravam pessoas que numa situação em que sentissem capacidade para liderar dessem um passo em frente, voltando a dar um passo atrás quando outra pessoa estivesse em melhores condições para o fazer.

 

Estas pessoas deverão existir ao longo de toda a cadeia hierárquica.

 

Em 12 de Janeiro de 2013, a revista “The Economist” provoca o mundo colocando na sua capa uma imagem alusiva a uma sanita e a questão: “Voltaremos a inventar algo tão útil novamente?”. Por mais que vivamos numa era que consideramos ser a mais inovadora de sempre, foram os cérebros dos finais do século 19 e início do século 20 que produziram o automóvel, o avião, o telefone, o rádio e os antibióticos. O papel dos líderes nas organizações será o de inspirar os que os rodeiam para que todos possamos reinventar o mundo novamente.

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