Liderança baseada em valores

Por o 14 Dezembro 2018

Em tempos tive uma conversa muito interessante, numa viagem de avião, com um jovem gestor de categoria (comercial de perecíveis) que me contava que no âmbito de uma negociação difícil em que se sentiu bastante aflito porque era preciso tomar uma decisão mas não conseguia contactar a sua chefia, diz que pensou: – “Vou fazer aquilo que me parece que está correto, aquilo que está certo porque acho que era assim que a minha empresa (o meu CEO) agiria numa situação semelhante”.

Creio que este é um excelente exemplo, muito ilustrativo, da força de uma liderança baseada em valores.

Li há pouco tempo, uma obra muito interessante sobre este tema intitulada “Becoming the Best – Build a World-Class Organization Through Values-Based Leadership” do autor Harry Kraemer, professor de liderança na Kellogg School of Management, Northwestern University, em Chicago mas igualmente gestor experiente, CEO com uma carreira longa de gestão de grandes equipas em empresas multinacionais e atualmente no Board de mais de dez empresas.

Este autor defende que para uma empresa ser bem gerida, com resultados robustos e sustentáveis, a reflexão e introspeção dos seus gestores, a sua maturidade emocional, a sua consciência e autenticidade, podem ser tão importantes como a sua conta de resultados.

 

 

Na ótica deste autor, para um gestor se poder tornar ou considerar autêntico e consciente precisa de desenvolver cinco dimensões:

1) Ser reflexivo

2) Compreender múltiplas perspetivas

3) Manter um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional

4) Ser confiante e no entanto humilde

5) Gerir bem as expectativas dos outros

A melhor forma de trabalhar estes temas mais densos e profundos e também por isso mais impactantes para a nossa vida, para as nossas equipas e para as organizações por onde passamos é refletirmos sobre estas múltiplas perspetivas através da colocação de perguntas.


Em primeiro lugar
, a reflexão pessoal (self-reflection) é o fundamento da filosofia de liderança deste autor porque permite utilizar as nossas forças de forma a compensar as nossas fraquezas e acima de tudo, a abrir as nossas mentes para os outros.

Neste contexto, somos chamados a ler e gerir as nossas emoções e colocar as nossas decisões quotidianas numa perspetiva mais abrangente e holística. Ser consciente significa percebermos o nosso lugar e local no mundo e compreendermo-nos melhor e às relações que temos com os outros. Permite-nos estabelecer uma direção para as nossas vidas tendo por base o ponto onde estamos e para onde queremos ir. Devemos por isso, enquanto gestores, colocar a nós próprios, as seguintes questões:

– Tira tempo para refletir sozinho e com os outros sobre o que está a acontecer?

– O que está a tentar concretizar com a sua vida e o seu trabalho?

– Consegue gerir a sua lista de to-do´s ou é esta que o gere a si?


Em segundo lugar
, para compreender múltiplas perspetivas, as perguntas que se colocam são as seguintes:

– Procura conscientemente perceber a visão dos outros mesmo que muito distante da sua?

– É capaz de refrear o seu julgamento quando escuta os outros?

– Como consegue gerir a sua perspetiva da realidade com aquilo que outros lhe estão a dizer?


Em terceiro lugar
, o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. As questões que não pode deixar de colocar são:

– Este valor é importante na sua companhia?

– Como consegue conciliar este equilíbrio à medida que vai incorporando mais responsabilidades profissionais?

– Faz concessões conscientes sobre o que deve e não deve fazer?


Em quarto lugar
, ser confiante e paradoxalmente ser humilde coloca o seguinte tipo de questões:

Quão confortável está em “não saber” e pedir ajuda?

– Neste momento, quão confiante está em si mesmo?

– O que faz para incrementar a autoconfiança nos outros?


Em quinto e último lugar
sobre a boa gestão das expectativas dos outros, as questões serão:

Como consegue gerir expectativas?

– Está constantemente a entregar o que tinha dito que faria?

– O que pode fazer para construir relações autênticas com os outros? Por fim, eu acrescentaria, a one-million-dollar question para o fecho deste artigo

– E tem tempo para ler este artigo e pensar nestas questões?

Vai passar pela vida ou vai ser a vida a passar por si?

Para saber mais sobre este tema, recomendamos a formação CEGOC Liderança para chefias diretas e supervisores

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Paulo Loureiro Desde 2 anos

Artigo muito interessante!
Sem dúvida que o equilíbrio entre a nossa vida pessoal e profissional é fundamental!
Tudo fica mais fácil!

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