Como abordar entrevistas de avaliação anuais?

Por o 19 Fevereiro 2018

Estamos num período de formalização da relação de negócios. A sua organização concede um momento para reflexão e para escutar os seus colaboradores, tendo em conta todas as dimensões: a profissional, a pessoal, a emocional e portanto…

Proponho que adote um tom banal para abordar a realidade desta reunião anual em que podem acontecer várias situações:

  • Rápido, rápido e rápido: tem tantas pessoas com quem falar que já perdeu a conta. No entanto, confia no seu assistente para organizar todos os horários. Em teoria, a direção de recursos humanos quando diz “2 horas mínimo por pessoa”, oiça, não precisamos falar por falar … até porque terá outras responsabilidades a cumprir.

 

  • Como profissional, deverá ter tudo preparado antecipadamente. Tudo está sob a sua gestão: o formulário é pré-preenchido para otimizar o tempo. As variáveis, se elas existem na sua organização, já estão ajustadas, afinou os seus argumentos para explicar o ranking após a entrevista. Planeou o tempo necessário para falar com o colaborador. Seja sério e eficiente.

 

  • Este é um momento importante para não se precipitar. Os seus valores, a sua ética exige que esteja preparado para isso. Tem coisas para dizer e considera esta conversa como uma afirmação da sua gestão. Quer que os seus colaboradores melhorem. Parece legítimo apontar o que é errado, para o bem e a otimização do trabalho de sua equipa. O seu risco será não saber como congratular.

 

  • Se gere a maioria dos gestores seniores, então o desafio será encontrar as alavancas de motivação corretas. Apesar de possíveis arrependimentos, conhece os seus históricos, logo, é capaz de reconhecer a experiência e a maturidade profissional.

 

  • Se só tem profissionais mais jovens na sua equipa, este ritual poderá parecer desatualizado e pouco convencional. Poderão dizer-lhe claramente. “Porque estou a tirar anotações? Na verdade, é como na escola”… perante algo semelhante, terá que demonstrar pedagogia e despertar o interesse do exercício para eles: performances reconhecidas são oportunidades de formação e até de promoção …

 

  • Avaliações anuais? Imagine que as faz em inglês com pessoas com mais de 5 nacionalidades e tudo por telefone. De qualquer forma, ao mudar de equipa a cada 3 anos, nunca chegou realmente a conhecer essas pessoas. Então, pede-lhes para preencherem o formulário, fazerem a sua autoavaliação e que enviem a mesma de volta. A entrevista será usada para analisar as diferenças nos pontos de vista … 30 minutos no máximo.

 

  • Não sabe muito, pois esta é a sua primeira posição de direção … o seu contacto de RH explicou os ins e os outs. Talvez tenha tido a oportunidade de ter formação ou suporte interno por pessoas mais experientes… a sua preocupação: seja firme, controle o seu tempo e prove que é um bom gestor.

 

  • Não está muito confortável com este momento que para si, oscila entre um caderno de queixas e uma obrigação de escuta atenta. Teme que a componente emocional e a confiança, tenha prevalência sobre a perspetiva profissional. Para que não perca de vista o objetivo principal deverá: avaliar os resultados do ano e corrigir as expectativas do ano vindouro.

 

  • Se começar por perguntar ao seu colaborador se ele está bem e se a família está bem, isso pode tornar as coisas um pouco mais fáceis? No final acabará por perceber que falou principalmente sobre si mesmo…

 

  • Todos os anos, apesar da antecipação e da organização com que se dedica à tarefa, chega inesperadamente situações que fogem ao seu controle: acabaram-se contratempos como não há salas livres, interrupções dos colegas ou do seu diretor em assuntos urgentes … procure uma solução para mudar essa realidade.

 

Esteja atento, dessa forma vai apreciar esse momento e “descobrir” alguns dos seus colaboradores. Esteja realmente atento e desenvolva as suas habilidades.


Esta lista não é exaustiva, por isso convido-o a partilhar as suas experiências e testemunhos nos comentários.

De acordo com um estudo do Washington Post, quase 10% das grandes empresas americanas terminaram com a entrevista de avaliação anual e estão a adotar conversas mais regulares entre gestores e colaboradores ao longo do ano. Estão a surgir outras vias: abrir o campo da avaliação de pares, do colaborador para a sua gestão, para formatos mais adequados aos modos de trabalho colaborativo e matricial.

Por falar nisso, e você? Com que estado de espírito aborda a sua própria avaliação anual?


Autora: Annette Chazoule

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