Motivação: Um novo sistema operativo

Por o 13 Julho 2015

Baseado em quatro décadas de pesquisa científica sobre motivação humana, o trabalho de Pink evidencia o desalinhamento entre aquilo que a ciência conhece e as práticas de gestão e como é que isso afeta diferentes aspetos da nossa vida quotidiana. O autor demonstra que, enquanto o modelo do “pau e da cenoura” poderá ter funcionado com relativa eficácia em algumas empresas no século XX, constitui, no entanto, uma estratégia errada para motivar pessoas no contexto dos desafios da economia e da sociedade atuais.


Sistemas operativos motivacionais

sistema-operativo-motivacional-grandeOs sistemas operativos motivacionais, ou seja conjuntos de assunções e protocolos sobre como é que o mundo funciona e como é que os seres humanos se comportam, que estão na base das nossas leis, dos nossos modelos económicos e das nossas práticas de gestão, estão a necessitar de uma profunda revisão.

Há milhares de anos atrás, a Motivação 1.0 presumia que os seres humanos eram meras criaturas biológicas a lutarem pela sua sobrevivência. Depois, nos séculos XIX e XX, a Motivação 2.0 presumia que os humanos também respondiam a outros estímulos ambientais, como recompensas e castigos. Este novo sistema operativo correspondia, então, a novas necessidades de interação entre as pessoas, suscitadas pelos desenvolvimentos da revolução industrial.

Atualmente, já na segunda década do século XXI, a Motivação 3.0 sustenta que os seres humanos têm uma terceira “drive” motivacional – aprender, criar e melhorar o mundo em que vivem. As recompensas e o reconhecimento eram práticas que funcionavam bem para as tarefas rotineiras do século XX, sobretudo para as empresas cujo modo de gestão ainda permanecia ligado aos paradigmas da industrialização. Mas no século XXI, a Motivação 2.0 é incompatível com a maneira como organizamos o que fazemos, como pensamos acerca do que fazemos e como fazemos o que fazemos. Precisamos urgentemente de uma atualização.

 

7 Razões pelas quais o paradigma do “Pau e a Cenoura” (muitas vezes) não é adequado…

Quando o “pau e a cenoura” encontra a nossa terceira “drive”, estranhas coisas começam a acontecer. As tradicionais recompensas “se isto- então aquilo” dão-nos sempre menos do que gostávamos de ter, porque:

  1. Extinguem a motivação intrínseca
  2. Diminuem a performance
  3. Esmagam a criatividade
  4. Banalizam o bom desempenho
  5. Encorajam comportamentos não éticos como “passar por cima dos outros” ou falsear resultados
  6. Criam dependências
  7. Estimulam o pensamento de curto prazo

 

… e as circunstâncias especiais em que funciona

O “pau e a cenoura” nem sempre é mau. Pode ser eficaz para algumas tarefas rotineiras e sujeitas a procedimentos rígidos, onde a motivação intrínseca é tendencialmente baixa e não é possível desenvolver qualquer tipo de atividade criativa.
No entanto, para atividades não rotineiras e de pendor dominantemente conceptual, as recompensas podem ser perigosas, sobretudo as do tipo “se isto – então aquilo”. Mas as recompensas “já que…” – recompensas não contingentes atribuídas após a concretização de uma determinada atividade- podem funcionar bem para trabalhos mais criativos, de “cérebro direito”, sobretudo se veiculam informação importante sobre o desempenho realizado.

 

Modelos de Motivação

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“O desejo de fazer uma coisa apenas porque se sente que é pessoalmente desafiante e emocionalmente gratificante, inspira os mais elevados níveis de criatividade, seja no domínio das artes, da ciência ou das atividades profissionais”

Prof. Teresa Amabile – Universidade de Harvard

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