A “evocação” do coaching

Por o 15 Junho 2015

O que poderá ser mais inspirador e estimulante para um colaborador do que sentir que o seu líder tem uma vontade genuína de o tornar melhor do que si próprio, e que demonstra acreditar que isso não só é desejável como é autenticamente possível?


A Liderança é um tema recorrente e em tudo o que se publica sobre este assunto, seja em livros, artigos académicos ou textos de reflexão livre do tipo…”blogueiro”, estamos em certa medida, a repetir-nos; trata-se, no fundamental, de responder sempre às mesmas duas questões: “what makes a leader?” e “what makes a leader…effective”?

coachingPela minha parte, e a juntar a tantas outras que já temos vindo a apresentar neste blog, deixo aqui a referência a uma perspetiva que me é particularmente atrativa e que, julgo, encerra possibilidades para heurísticas de aplicação prática muito encorajadoras: refiro-me, em concreto, às conceções inerentes aos modelos de coaching, segundo as quais o porventura mais nobre objetivo de um coach, ou de um líder coach, é o de, como está sugestivamente ilustrado no título de um excelente livro de James Flaherty, “evoke excelence in others”.

Líder coach

Segundo esta perspetiva, mais do que o estilo do líder, ou as competências transversais e específicas que ele (ou ela) necessita de desenvolver, ou ainda dos papeis que é chamado a assumir para a resolução dos diversos problemas que um grupo ou uma equipa enfrentam no seu dia-a-dia profissional, o que verdadeiramente “conta” na ação de qualquer líder, é o contributo efetivo que ele dá (ou não dá), para revelar aos colaboradores o seu (deles)“hidden potential”.

Foco da liderança nos liderados

Neste contexto, e nesta aceção, o verdadeiro foco da liderança desloca-se da figura do líder, para se centrar verdadeiramente nas pessoas dos liderados, fomentando a sua autoestima e suscitando crenças positivas na sua própria capacidade para se Auto direcionarem e perceberem que o sucesso próprio radica numa última e fundamental causa: a mobilização do seu próprio esforço e entrega.

Esta perspetiva, em vez de enfatizar a utilização de determinado tipo competências ou de táticas de mobilização, convoca o líder para a adoção de uma atitude, que tem de ser consistente e íntegra para ser credível, de abandonar o desejo de controlar os destinos do colaborador, porque uma das melhores coisas que um líder pode fazer por um colaborador é dar-lhe o apoio necessário para ele se tornar…melhor do que o próprio líder.

Liderança inspiracional

É aqui, nesta espécie de transmutação alquímica de mestrias, que reside o verdadeiro segredo de uma liderança realmente eficaz e construída como um exemplo integralmente inspiracional; na verdade, o que poderá ser mais inspirador e estimulante para um colaborador do que sentir que o seu líder tem uma vontade genuína de o tornar melhor do que si próprio, e que demonstra acreditar que isso não só é desejável como é autenticamente possível?

Para além da dimensão profundamente humanista desta perspetiva sobre a liderança, ela é também a única que, de uma forma integral e expandida, permite realizar uma outra, senão a mais definitiva, das missões que fazem com que o papel de um líder seja algo de tão importante e decisivo para o sucesso, presente e futuro, das sociedades e das organizações: a capacidade de criar efeitos multiplicadores na geração de novos líderes, que não só garantam a mera “continuidade da espécie” mas que dêem um contributo fundamental para que a experiência humana se desdobre na construção perpétua de um mundo cada vez menos imperfeito.

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