“Escuta Zé Ninguém”

Por o 26 Maio 2015

Este texto constitui uma carta ao cidadão anónimo que é o único que pode mudar “realmente” o “seu” mundo e tem potencial para decidir o seu percurso, com sentido estratégico, bom senso e ponderação.


“Escuta Zé Ninguém”

Carta ao cidadão anónimo que é o único que pode mudar “realmente” o “seu” mundo

“É mais nobre entregarmo-nos totalmente a uma só pessoa do que trabalharmos diligentemente para a salvação das massas”

Dag Hammarskjöld

 

 

Por vezes, muitas vezes, encontramo-nos como a Alice numa encruzilhada com muitos caminhos e não temos a quem recorrer para nos indicar o rumo certo a seguir;

Por vezes, muitas vezes, somos como Ulisses a atracar a muitos portos distantes e quanto mais depressa chegamos, mais depressa nos assola a imensa vontade de partir;

Por vezes sentimos que o mundo nos pesa e nos pesa tanto que sentimos que já não temos mais força e resistência para o conseguirmos suportar;

Por vezes sentimos o nosso mundo a andar tão depressa e nós lá dentro sem sentido do Norte e sem vontade nem coragem para o conseguirmos travar;

Por vezes sentimos que o mundo acabou e que a vida já não traz nada de novo pela frente; mas se tu podes fazer a diferença em cada dia porquê esperar muitos dias para fazer algo diferente?

Se amor, trabalho e sabedoria são, como se diz, fontes de vida, e fornecem a energia motivacional para a alimentar, então porque não transformá-los nos valores que, positiva e finalmente, a permitam governar?

Se podes crer em ti com toda a força anímica, mantendo a calma e o controlo em situações de grande desafio e pressão, então porquê abandonares os teus sonhos e passares uma parte importante da tua vida em negação?

Se tens em ti potencial para decidires o teu percurso, com sentido estratégico, bom senso, ponderação e calma, então porque desistes tão facilmente em te tornares o “senhor do teu destino” e seres o “capitão da tua alma”?(1)

Se tens em ti potencial para controlar a sorte, num mundo instável, caótico e incerto, então porque insistes no abstrato e não te focas totalmente naquilo que te está perto?

E se aceitares a expressão dos teus talentos e não te dispersares em vãos anseios de absoluto, poderás agir nas tuas zonas de influência e legares à vida o valor de um contributo.

E quando, enfim, fores o autor da tua história e te libertares das barreiras que te tolhem, poderás prevalecer sobre ti próprio e, finalmente, “Zé Ninguém”…serás um Homem!

 

NOTA: Título extraído do livro homónimo de Wilhelm Reich
(1) As frases em itálico foram extraídas do poema “Invictus” de William E. Henley
Este artigo foi publicado na Revista Pessoal n.º 136, de maio de 2014.

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